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21 de agosto 1889 nasceu Cora Coralina

Como todos os escritores de verdade, Cora Coralina começou a escrever quando ainda criança.

 
No entanto, foi só em 1965, aos 76 anos de idade, que ela publicou seu primeiro livro. E foi somente em 1979, aos 90 anos, que alcançou o reconhecimento da crítica, quando Carlos Drummond de Andrade, o grande poeta, escreveu a ela: “Admiro e amo você como alguém que vive em estado de graça com a poesia; seu livro é um encanto, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais.
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, ou Cora Coralina, nasceu em Goiás, na Vila Boa, em 21 de agosto de 1899. Seu pai, Francisco Lins do Guimarães Peixoto, era desembargador, tendo sido nomeado para o cargo pelo nosso Imperador D.Pedro II.
A casa onde nasceu foi construída nos anos 1700 e comprada por sua família no início do século XIX. Ainda está lá e hoje abriga o centro cultural dedicado à memória da poeta.
Cora tinha 14 anos quando publicou seu primeiro conto no Anuário Histórico Geográfico e Descritivo de Goiás: “Tragédia na Roça”. Foi então que começou a assinar com o pseudônimo de Cora Coralina.
Aos 21, Cora se casou com Cantídio Tolentino Barros, um advogado, e foi para São Paulo, tendo morado em algumas cidades do interior e, em 1924, se mudado para a capital.
Foi na cidade de São Paulo que seu marido morreu, deixando Cora com 3 filhos para criar. Naquele tempo, poucas eram as oportunidades de emprego para mulheres e ela resolveu sobreviver primeiro vendendo livros e depois cozinhando,  fazendo linguiças, banha de porco e doces. Foi morar  no interior de São Paulo onde viveu, em várias cidades, até 1956, quando voltou para Goiás.
Mas, durante toda a sua vida, escrevia.
A editora José Olympio publicou seu livro de estréia, em 1965 – Poemas dos Becos de Goiás. Cora tinha 76 anos de idade.  O segundo livro só veio 11 anos depois – Meu Livro de Cordel – e o terceiro em 1983 – Vintém de Cobre.
Foi eleita, neste mesmo ano, pela União Brasileira de Escritores, a Intelectual do Ano e foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato.
“Que eu possa dignificar minha condição de mulher – escreveu ela – aceitar suas limitações e me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando”.
Cora Coralina morreu, aos 95 anos, em 10 de Abril de 1985. Duas obras póstumas suas foram publicadas.
Fonte: Isabel Vasconcellos
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