Galeria

>14 de julho 1972, morreu Leila Diniz

Ela sacudiu o país. Os homens a desejavam e as mulheres a invejavam. A esquerda a taxava de alienada política e a direita achava que ela era comunista.
Tudo acabou, porém, quando o avião em que ela voltava da Austrália se esborrachou no chão. Leila tinha apenas 27 anos quando morreu.
(foto de Antonio Guerreiro: Lelia e Betty Faria, muito antes de Madona…)
Atriz de novelas da Globo, mas fazendo também cinema à sério, Leila Diniz desafiava todos os preconceitos sexuais que, na época em que ela viveu, eram muito maiores do que são hoje, apesar da suposta liberdade dos jovens dos anos 60, cujo lema era “faça amor, não faça guerra”.
Ficou famosa, principalmente, por falar tudo o que pensava, sem dar a menor bola para a repressão da ditadura militar brasileira que prendia e exilava todo mundo que ousasse pensar.
Leila era tão desbocada quanto Dercy Gonçalves e foi uma entrevista dela ao jornal “O Pasquim” (sucesso absoluto na época, porque ousava enfrentar, com bom humor, a caretice da ditadura) que fez o governo baixar de vez a censura prévia à imprensa. O decreto que instituiu a presença dos censores dentro das redações de jornais, revistas, rádios e TVs, ficou então conhecido como o “Decreto Leila Diniz”.
Leila Roque Diniz nasceu no dia 25 de março de 1945, em Niterói. Estudou para ser professora de crianças, cursando um segundo grau que, naquela época, se chamava “Escola Normal” e formava bandos de moças para uma das poucas profissões toleradas para mulheres.
Aos 17 anos, porém, Leila se apaixonou por Domingos de Oliveira, um cineasta que pertencia à vanguarda intelectual carioca, e se casou com ele.
 
Três anos depois o casamento acabou mas Leila, que já embarcara de vez na carreira de atriz e fazia teatro, foi convidada para ser a estrela do filme “Todas As Mulheres do Mundo”, cujo diretor era o seu ex-marido.
O filme não só fez um tremendo sucesso como se tornou um clássico das telas nacionais. Nele, Leila contracenava com Paulo José, Flavio Migliaccio, Joana Fomm e outros.
Do sucesso no cinema para as novelas da Globo foi apenas um passo.
Leila fez 14 filmes, 12 novelas de TV, inúmeras peças de teatro e ganhou alguns prêmios internacionais como melhor atriz.
Casou-se novamente com outro diretor de cinema, Ruy Guerra, o moçambicano que foi parceiro de Chico Buarque na peça e na trilha musical da peça “Calabar”. Com Ruy, Leila teve sua filha única, Janaína.
Em 1969, entrevistada pelos criadores do “O Pasquim”, Tarso de Castro, Jaguar, Sérgio Cabral (o pai do atual governador do Rio de Janeiro) e Millôr Fernandes, criou todo um bafafá no Brasil da ditadura e acabou tendo que ir se esconder para não ser presa (e, naquele tempo, prisão era também sinônimo de tortura).
Flávio Cavalcanti, então um famosíssimo apresentador de TV, muito criticado e caluniado, vivia dando abrigo aos artistas endividados ou perseguidos pela ditadura militar. Foi na casa dele que Leila se escondeu.
Quando a poeira baixou, Leila voltou aos palcos para estrelar o musical “Tem Banana na Banda” onde os autores (José Wilker, Millor, Luis Carlos Maciel e Oduvaldo Viana Filho) tentavam reerguer o gênero “teatro de revista”, que tivera seu auge no Brasil dos anos 1940 e 50.
Virgínia Lane, a vedete que fora a rainha absoluta deste gênero teatral declarou então que Leila era a nova rainha das vedetes.
Não colou. Pegou mais o outro reinado: em 1971, Leila foi
eleita Rainha da Banda de Ipanema.
O reinado não durou até o próximo carnaval.
Em 14 de julho de 1972 o avião que trazia, entre outros, Leila e o cantor Agostinho dos Santos, de volta da Austrália, explodiu perto de Nova Delhi, na Índia.


 

Virgínia Lane, a vedete que fora a rainha absoluta deste gênero teatral declarou então que Leila era a nova rainha das vedetes.

 

Não colou. Pegou mais o outro reinado: em 1971, Leila foi

 

eleita Rainha da Banda de Ipanema.

 

O reinado não durou até o próximo carnaval.

 

 

 

Em 14 de julho de 1972 o avião que trazia, entre outros, Leila e o cantor Agostinho dos Santos, de volta da Austrália, explodiu perto de Nova Delhi, na Índia.


 

 
Anúncios

Uma resposta para “>14 de julho 1972, morreu Leila Diniz

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s