>silvioafonso na MARATONA POÉTICA

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CHEIRO DE COLO

Por um motivo forte, mas que não justificava aquele gesto, eu me afastei da casa aonde fui criado. Pela minha pouca idade eu não fiz juízo do mal que causava a minha mãe e a mim mesmo. Com o passar dos anos fui descobrindo que aquela ausência era o mesmo que perder as articulações das pernas e dos braços e até o meu coração mudava de compasso; eu estava paralisado de saudade. Mutilado com a sua ausência como se a minha alma tivesse ido embora do meu corpo. Nas festas e reuniões, por mais amigos que acercassem de mim, eu me via só. Larguei os compromissos assumidos, das minhas obrigações eu esqueci e fui ao encontro dela. Em qual dia do mês eu não me lembro e de que maneira eu cheguei até onde ela estava eu também não me recordo, mas sabia que era ali, no lugar de sempre; na mesma cidade e bairro, na mesma rua e número aonde eu cresci menino e me formei rapaz, ela me esperava. Nada dissemos um para o outro, só nos olhamos para nos entregar a um abraço demorado e tão intenso que até agora sinto o seu cheiro e o calor do seu colo, como se o seu bebê eu fosse, ainda.

silvioafonso

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