>silvioafonso na MARATONA POÉTICA

>

UMA LÁGRIMA, UM SORRISO.

Voltou correndo à casa aonde o filho ardia em febre. Devido a sua importância o local se transformara em um moderno ambulatório aonde médico e equipe não faziam outra coisa senão olhar o paciente depois de medicá-lo. Ninguém teve a coragem de dizer a mãe daquele jovem que o seu mal era de amor. Um toco, diria o velho Palhaço, um fora, diria eu. Nada havia de mais importante para aquele rapaz senão a certeza de suas conquistas, e aquele adeus não foi auspicioso à sua vaidade, ao seu amor próprio e aos que a ele queriam bem. Ela foi, enfim, tranquilizada por um senhor grisalho que nos hospitais levava o sorriso aos que só das lágrimas compartilhavam. Um braço sobre o ombro aproximou os dois. Ele, gentil, falou de coisas das quais ela nem se apercebia. Dizia do cheiro da rosa no final da tarde, do som dos passarinhos que em bando revoavam no cair da noite e da alegria das crianças pobres que mesmo sabendo que o papai Noel não conhecia o seu endereço, torcem pela chegada do natal. Ela baixou a guarda e por terra viu cair sua defesa. O cheiro do homem que fazia rir era contundente. Um misto de força misturado com suor e bondade. Um riso como cobertor de um corpo que tremia no frio de todos os desejos. Uma vontade louca de cair nos braços dele, não como uma pessoa frágil como se mostrava, mas como a mulher vibrante que em sua alma adormecia… A voz era calma e doce. Certeira como as flechas de Guilherme Tell e mornas como a chegada da primavera. Ela mal entreabriu os olhos e do homem ao seu lado sentiu o hálito confundindo o seu. Num gesto de loucura ofereceu-lhe os lábios e um meigo beijo viu ser depositado em sua boca. Ela pirou de vez. Esqueceu o motivo de sua indignação, de sua ida ao local aonde o riso se mostrava e se abriu em leque, em curvas e retas e se deu, não aos caprichos de quem ama, mas à vida que lhe era apresentada como o perfume de flor em manhã chuvosa e doçura de festa de criança. Um momento como nem os contos que escrevia faziam jus ou os versos rimavam parecidos.

silvioafonso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s